Das ondas do Mediterrâneo às montanhas de Minas, o Mitra é essa metamorfose própria da arquitetura. Não é a simples importação de uma estética, mas a transformação de referências culturais e sensoriais em um espaço único de contemplação e permanência.
Os lounges são um espetáculo à parte nesse mar de experiências que cada espaço diferente proporciona. Com uma belíssima vista panorâmica típica da paisagem mineira, o linho, as oliveiras, a madeira e as pedras envolvem o espectador enquanto se admira o pôr do sol que se estende ao infinito das montanhas.
A repetição dos arcos cria um movimento de colunata que distribui ao espaço a homogeneidade típica das fachadas tradicionais, mas é arrebatada pelas arandelas orgânicas como conchas que parecem ainda carregar a salgada água do mar. Fechando a cena, ao olhar para cima o espectador se depara com as luminárias à pleno voo.
Mas do que seria toda essa atmosfera de areia e sol, sem a água fria para molhar os pés? É a partir desse pensamento que surge um dos elementos mais emblemáticos do projeto: o banheiro, um universo à parte de pura indulgência. Aqui, o desafio foi justamente trazer o mar para Minas Gerais de forma inesperada e imersiva. Através de projeções mapeadas, reflexos e espelhos facetados que multiplicam infinitamente a imagem de quem percorre o espaço, cria-se a sensação de atravessar uma outra realidade, um lugar onde Minas também tem mar.

















